Guerra híbrida: Brasil vence batalha da soberania

Publicado no jornal Diário da Região, São José do Rio Preto, SP, 04 de novembro de 2026.

Ao exercer o soberano direito de voto dentro da ordem e da Lei, nosso povo assegurou, em 25.10.26, a prevalência da democraciano Brasil, tendo superado a ingerência externa dos EUA e de seus agentes domésticos, dentro do âmbito da guerra híbrida que nos move a potência imperialista, com o objetivo de solapar nossas instituições. Objetivam os EUA submeter o Brasil aos seus interesses econômicos, financeiros, comerciais, políticos e militares, reduzindo drasticamente nossa soberania. Para tanto, valem-se da intimidação militar; da coerção; da corrupção política; da cooptação parcial das forças econômicas, financeiras, religiosas e sociais nacionais; da propaganda e da desinformação; guerra cibernética; do controle fraudulento das mídias sociais; uso criminoso do Judiciário (lawfare) para fins nefandos e abomináveis, além da pressão diplomática de caráter grosseiro e brutal.

A guerra híbrida tem sido utilizada continuadamente pelos EUA há tempos, mas acentuada a partir de 1947, com mais de 150 tentativas, quase todas bem-sucedidas, de mudanças de governos na África, Américas, Ásia e Europa. Desde nossa independência, deparamo-nos com ações do gênero, que se acentuaram, segundo Moniz Bandeira, com a percepção do governo estadunidense da perda relativa da preeminência industrial, comercial, financeira, tecnológica, cultural e militar. Outros países constituem alvos da mesma medida: os EUA se posicionaram não apenas contra o Direito internacional, que desejam destruir e inviabilizar, mas contra a civilização.

A generalizada percepção desta ameaça, e dos perigos que ela encerra para a humanidade, foi responsável pela enorme repercussão positiva, mundo afora, da vitória do Presidente Lula nas eleições presidenciais brasileiras, apesar do financiamento da oposição pelos EUA e agentes; da fraude institucionalizada contra a licitude eleitoral; da desestabilização política; da intimidação militar; da coerção de magistrados; da corrupção de setores políticos, de tarifas ilegais, e da manipulação midiática em alta escala. Alinharam-se com os interesses espúrios dos EUA, contra o Brasil, importantes segmentos da economia doméstica, como o bancário e financeiro; o da imprensa; da indústria, do comércio e agricultura. No setor de serviços, destacaram-se ainda o jogo ilegal e as grandes plataformas tecnológicas, que procuram se eximir do cumprimento das leis, mediante fraude, trapaça e velhacaria.

Vencida esta batalha, não tenhamos dúvidas que continuará a guerra híbrida, com tentativas de desacreditar nossas instituições democráticas, o processo eleitoral, a legitimidade do presidente e a sabedoria popular ao execrar o monstro do imperialismo. Passadas horas da declaração dos resultados eleitorais, já recomeçaram as ações de guerrilha na economia e política. Setores do mercado financeiro vendidos aos interesses estrangeiros denunciam o chamado “desequilíbrio fiscal”. Ora, esse sabidamente é causado pelos ganhos obscenos do setor, combinados com a baixa tributação, a metade do que é praticado no exterior. Ganhos sociais ou lucros bancários, eis a dicotomia real que se põe. O governo brasileiro eleito tem um inequívoco mandato popular para decidir.

As ações fraudulentas das plataformas tecnológicas tornaram-se escandalosamente notórias, antes e durante as eleições. Elas subvertem os valores de nossa juventude, através dos embustes e lavagem cerebral. Ademais, o Direito não pode estar sujeito às manipulações de entidades inidôneas que se julgam acima das leis, da moral e da decência. A sua atividade deve ser coibida ou, ao menos, drasticamente controlada pelo Estado. Alternativas devem ser consideradas, de maneira a resguardar o interesse público. A luta continua.

DURVAL DE NORONHA GOYOS JR.
Advogado, jurista, escritor, historiador e professor. Escreve quinzenalmente neste espaço às quartas-feiras