Resenha do livro “O Regime Internacional dos Direitos Humanos e o
Sul Global”, de Durval De Noronha Goyos Jr.
Eu cheguei ao Brasil no final de outubro de 1998, depois de haver servido como embaixador de meu país nas Ilhas Maurício. O novo posto representava um novo mundo expandido, pelo tamanho da população e a enormidade de seu território, em contraste com o anterior. Como o primeiro embaixador no Brasil da democrática República da África do Sul, tive o enorme desafio de construir um novo rumo de relações diplomáticas com o Brasil e o seu povo.
Uma das missões principais de minha atuação foi a compreensão da relevância para o mundo, o impacto geopolítico e o papel estratégico do Sul Global. O Dr. Noronha me fez uma importante introdução da questão, ao prover um claro prisma de como seria crítica a tarefa de uma aliança para a construção de relações bilaterais e multilaterais. Na qualidade de um renomado advogado, ele tinha uma profunda compreensão do direito internacional, das obrigações e relações dos Estados na configuração global de poder.
Os seus ensinamentos em vários livros e publicações acadêmicas, não eram apenas prolíficos e incisivos, mas proporcionavam um amplo guia sobre o ambiente jurídico, assim como a respeito dos instrumentos então em negociação. Noronha continua a ser uma águia jurídica e um astuto acadêmico legal, mas também um ativista social que influenciou relações multilaterais e regionais. Os seus escritos sobre o Mercosul, a ONU, a SADC e a OMC, dentre outros, proporcionam um útil e indispensável guia para o reposicionamento da cooperação Sul-Sul.
O mundo fará bem ao levar em consideração o trabalho do Dr. Noronha na desconstrução da polaridade das relações econômicas globais, evidentes historicamente e presentes no presente discurso diplomático. Ao navegar os perigos da unipolaridade perigosa, o seu trabalho adquire uma dimensão imensamente notável por sustentar a importância do reposicionamento multipolar e relevância das instituições globais.